Memoria.Arte.Cultura

Este site é um centro de memória virtual e amplia, organiza e disponibiliza parte de acervo sobre o jongo e a Serrinha e conta com a parceria da UFRJ e Secretaria Municipal de Cultura.
Dados e documentos, produzidos ao longo de décadas por diversos atores sociais foram sendo produzidos e consequentemente espalhados pelo mundo. Ao longo dos anos 2000, o Jongo da Serrinha vem identificando estes registros, e reunindo este material em órgãos públicos (Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, Arquivo Nacional, Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Centro Cultural José Bonifácio, Instituto Pereira Passos, Fundação Biblioteca Nacional , Museu do Folclore Edison Carneiro, Biblioteca do MEC etc ) e instituições particulares (Arquivo Jornal do Brasil, Arquivo Jornal O Globo, Arquivo CEDOC TV Globo, Acervo Corisco filmes, Acervo Instituto de Berlim, Centro de documentação da TV Cultura, Centro de documentação da TV Educativa, entre outras).
Destacam-se ainda documentos e imagens com pesquisadores e instituições que poderão fazer parte do acervo, entre eles:

• Arquivo do Sindicato dos Estivadores — Fotografias, registros e documentos sobre o trabalho dos jongueiros no início do século XX;
• Arquivo do Sindicato dos Trabalhadores Avulsos em Capatazia da Cidade do Rio de Janeiro — Fotografias, registros e documentos sobre o trabalho dos jongueiros no início do século XX;
• Museu da Imagem e do Som / RJ — Gravações e entrevistas de Mestre Darcy, Mano Elói Antero Dias, Vovó Maria Joanna, Clara Nunes, etc.;
• Acervo Raquel Valença — Pesquisadora, autora do livro “Serra, Serrinha, Serrano — o Império do samba”, que dispõe de entrevistas, dados, fotografias, documentos e vídeos sobre a história da Serrinha e seus principais personagens;
• Acervo Edir Gandra — Pesquisadora, autora do livro “Serrinha: dos terreiros aos palcos”, dispõe de entrevistas, dados, fotografias, documentos e vídeos sobre a história da Serrinha e seus principais personagens;
• Acervo Associação Cultural Cachuêra! — Reúne imagens e áudios de todas as festas das comunidades de jongo por cerca de 20 anos, além de entrevistas com mestre Darcy, Vovó Maria Joanna, Mãe Zeferina e diversos jongueiros já falecidos;
• Acervo do Grupo Cultural Jongo da Serrinha — Reúne documentos e registros antigos recolhidos pelo grupo, além de audiovisuais produzidos nestes cerca de seis anos de fundação da ONG;

E ainda:

Acervos particulares específicos sobre o jongo e a Serrinha:

Paulo César Pinheiro, Raul Lody, Adelzon Alves, Clara Nunes, Tiago Oliveira, Norma Nogueira e Marília Barbosa, Jaime Lopes, Guilherme Fernandez entre outros.

Há 15 anos o Jongo da Serrinha é uma ONG e vem atuando em parceria com o poder público, privado e instituições internacionais com a missão de preservar o jongo como patrimônio imaterial,. Ganhou diversos prêmios entre eles: Medalha de Ordem ao Mérito Cultural (Presidência da República), Golfinho de Ouro (EstadoRJ), Cultura Viva (MINc), Cultura Nota Dez (EstadoRJ) e Itaú-Unicef (2005 e 2007).

É sabido que diversas tradições populares foram esquecidas, apesar de constituírem ricos patrimônios, por contarem secularmente com poucos recursos e incentivos por seus detentores não dominarem mecanismos de sustentabilidade de mercado. O Morro da Serrinha, em Madureira, é uma das poucas favelas centenárias da cidade e um verdadeiro quilombo cultural e o único núcleo tradicional de jongo carioca.

O Jongo da Serrinha vem construindo ações de preservação de sua cultura potencializando o jongo como instrumento de transformação social e estética, influenciando positivamente não só a Serrinha, mas comunidades no interior dos Estados de SP, ES e RJ que hoje ainda praticam o ritmo. Na cidade do Rio, grupos de jongo foram formados a partir da vivência das rodas da Serrinha e das atividades da Escola de Jongo que desde 2001 oferece oficinas de música e dança gratuitas na comunidade.
Em 2005, o jongo foi “tombado” pelo IPHAN como o primeiro Bem Imaterial do Estado do Rio.

Há algumas ações de preservação da memória das favelas vindas da sociedade civil organizada que surgem tanto do desejo de conhecer sua própria história e passado, no caso de moradores, quanto de repensar a ideia de cidade e criar subsídios para um coexistência mais harmônica. A metodologia básica destas iniciativas é a memória oral.

Nas favelas, de mãe para filho, de avô para neto, de vizinho para vizinho, são contadas histórias que procuram transmitir um conjunto de valores, ético, estéticos e culturais. Podemos chamar esse processo de registro informal da memória, isto é, a transmissão de fatos e sentimentos de uma pessoa a outra oralmente, ou seja, informalmente. Como vimos, o veículo da tradição oral é responsável pela criação de pontos de referência que fundamentam e reforçam os sentimentos de pertencimento e as fronteiras socioculturais dos grupos.
Nestes mais de cem anos de constituição das favelas na cidade do Rio de Janeiro, desde o surgimento dos primeiros “aglomerados subnormais”, termo criado pelo IBGE, nos Morros da Favela, de Santo Antônio e a Quinta do Caju, por volta de 1890 muito pouco se tem feito sobre a preservação da memória das favelas. O fato é que, até a década de 80, muitas favelas foram destruídas e suas memórias, soterradas com elas. Isto significa também que esta “memória subterrânea”, em muitos casos, se opõe à “memória oficial”.
Somente a partir da década de 1960, as favelas começaram a ser percebidas em larga escala como ricos centros de produção de cultura, dialogando com o discurso governamental que, ao contrário, propagava o sentimento de repúdio e rejeição pelas elites. A parceria entre Heitor Villa-Lobos e Pixinguinha, e entre Noel Rosa e Cartola, por exemplo, nas rodas de choro da cidade, foram alguns desses exemplos de percepção pela classe alta e média dos patrimônios imateriais presentes nos morros cariocas. Tal união do erudito com o popular criou, inclusive, a atmosfera propícia ao surgimento do samba carioca nas primeiras décadas do século XX.

No início do século passado, a vida dos moradores da Serrinha continuou bem parecida com a dos tempos das fazendas. As cachoeiras, os bambuzais, os animais selvagens, as casas de pau-a-pique, o candeeiro e o ferro a brasa continuaram a fazer parte do dia-a-dia até a década de 50. A memória deste tempo ainda está presente lá.

O espírito festivo de seus moradores e a consciência da importância de se preservar a cultura negra foram fundamentais para a formação de núcleos locais de famílias-artistas que anualmente cumpriam um calendário de festas por iniciativa própria, preservando diversas tradições da comunidade. No inventário produzido pelo IPHAN para o processo de tombamento do jongo, constam cerca de 32 bens materiais e imateriais presentes na Serrinha. Entre eles está o Dia dos Pretos-Velhos, o Banquete de São Lázaro, a Festa de Xangô, as Pastorinhas de Natal, a procissão de São Jorge, o samba, o samba-enredo, o partido-alto, a Gira de Umbanda, a primeira quadra do Império Serrano, a casa de Tia Maria, Dona Marta, Mano Décio da Viola e Sebastião Molequinho.

A casa de Vovó Maria Joanna ainda é um pólo cultural da comunidade. A mãe-de-santo, famosa em Madureira e arredores, promovia o Banquete de São Lázaro, em homenagem a Obaluaiê, deus africano das curas, no dia 23 de abril, aproveitando as comemorações do Dia de São Jorge. Na ocasião, Vovó oferecia em sua casa um banquete para os cachorros, servido no chão devidamente coberto com uma toalha, e só depois as pessoas presentes eram servidas. Por fim, juntava as pontas da toalha e dava uma volta com essa grande trouxa em torno da casa. Já no dia 30 de setembro, acontecia a Festa de Xangô. No sobrado da Ladeira da Balaiada (atual sede jurídica da do Jongo da Serrinha) parava a procissão de filhas-de-santo dos terreiros da região, vestidas de branco com os amalás (comida feita de quiabo para Xangô) na cabeça. Em seguida se encaminhavam para o alto da Balaiada, sítio da Pedreira de Xangô (duas grandes pedras encaixadas que formam um pequeno templo natural), e onde depositavam oferendas e faziam um ritual para o deus da justiça.

O carnaval sempre foi uma data muito importante e muito comemorada na Serrinha. O samba se estabeleceu como uma instituição forte e agregadora na comunidade, o que deu, por sua vez, visibilidade e força política para a Serrinha.

O Império Serrano, criado na comunidade, todo ano preparava-se para desfilar com alas que eram produzidas por diferentes famílias da comunidade sem que uma soubesse como seria a fantasia da outra — o que gerava uma competição interna pela distinção de ser a ala “mais bonita”. Mas além da escola havia na Serrinha o Bloco dos Sujos. Na terça-feira de carnaval, às 10 horas da manhã, homens e mulheres vestidos com fantasias de outros carnavais desfilavam pelas ruas de Madureira até a quadra do Império.

Até hoje seus moradores lutam para propagar uma imagem positiva do lugar onde vivem, confrontando-se com as restrições de acesso às tecnologias, infraestrutura e segurança.

A “ameaça da favela”, sentimento propagado pelas políticas públicas desde seus primeiros anos de formação, que inclusive justificou a ausência de planejamento e investimento do Estado no crescimento das habitações populares, acaba por tornar imperceptível para a opinião pública que é justamente a própria favela o grande laboratório de investigações e soluções para os problemas sociais, econômicos, educacionais e humanos.

A idéia da cidade partida, também propagada desde as primeiras décadas do século XX, ainda predomina no inconsciente coletivo adiando para as futuras gerações a oportunidade de promover o desenvolvimento social brasileiro baseado na idéia de que a cidade é permeada de relações interpessoais entre diversos atores de diversas classes, que a todo momento fortalecem redes, fazem ligações extraoficiais e criam canais de comunicação e associativismo.
exemplo deste poder da cidade misturada, isto é, da cidade permeada de relações interpessoais entre diversos atores de diversas classes sociais, aconteceu também com o próprio Jongo da Serrinha, com a presença de Clara Nunes constantemente na casa de Vovó Maria Joanna e Mestre Darcy do Jongo, que entre outras ações, estampou na capa de um dos seus discos (“Brasil Mestiço”, de 1982), uma foto de uma roda de jongo no alto da Serrinha com Vovó e o Mestre Darcy em primeiro plano. Clara deu visibilidade ao ritmo, que passava por um processo de extinção na cidade do Rio de Janeiro, incentivando o trabalho de Mestre Darcy pela preservação do jongo. Hoje, inclusive, é muito comum pessoas influentes “apadrinharem” projetos sociais com a intenção de dar visibilidade a determinada iniciativa, provando o poder do associativismo e da formação de redes da sociedade civil.
Inúmeras dessas iniciativas bem-sucedidas resultam da aproximação espontânea de atores que ultrapassaram preconceitos, vindos dos diversos lados da cidade que se acredita “partida”. A idéia de segregação tem um viés
perverso que é, ao dividir a cidade entre “oficial” (asfalto) e “excluída” (morro), eleger os valores da primeira como predominantes nas escolas, nos meios de comunicação, no planejamento da cidade, etc. A imposição de tais valores constitui um verdadeiro ato de violência. Ou seja, a favela é percebida como algo à parte da cidade, deficiente, e não como parte integrante desta.

QUEM SOMOS
O Grupo Cultural Jongo da Serrinha é uma organização social, com cerca de 50 anos, criada no bairro de Madureira, zona norte da cidade do Rio de Janeiro, que promove ações integradas entre cultura, arte, memória, desenvolvimento social, trabalho e renda. Há 13 anos se tornou oficialmente uma Associação Sem Fins Lucrativos e vem atuando em parceria com o poder público, privado e instituições internacionais para a promoção do jongo como patrimônio imaterial do sudeste e seus desdobramentos sociais para desenvolvimento humano.
MISSÃO
Sua principal missão institucional é preservar o jongo como Patrimônio Imaterial do Sudeste, tombado em 2005 pelo IPHAN como o primeiro da região. Seguindo sua missão, desenvolve ações em dois grandes eixos: educação, através da Escola de Jongo, e Cultura, pelo grupo musical Jongo da Serrinha. Os programas de trabalho acontecem de forma integrada e complementar e seus projetos estão ligados, direta ou indiretamente, ao desenvolvimento local do Morro da Serrinha e à preservação da memória do Jongo.
HISTORICO
O grupo Jongo da Serrinha foi criado por Mestre Darcy Monteiro e sua mãe, a famosa Vovó Maria Joana Rezadeira, no fim dos anos 60, para conter a extinção do jongo na cidade. Ambos criaram um grupo musical e transformaram a antiga dança de roda dos escravos, então praticada nos quintais da comunidade, num show que pudesse circular por diversas regiões. O Mestre Darcy do Jongo também quebrou “tabus” do jongo ensinado crianças a dançar e tocar, tradicionalmente permitido apenas aos mais velhos e incluiu instrumentos de harmonia na roda.Do convívio com crianças e jovens que participavam dos shows, houve um desejo do grupo de desenvolver um projeto sócio-educativo e de formação profissional na comunidade que valorizasse a cultura tradicional local e criasse alternativas de trabalho e renda. Assim, foi fundada, em 2000, a Associação Grupo Cultural Jongo da Serrinha e, em 2001, o projeto Escola de Jongo (EJ) que desde sua elaboração, obteve forte apoio de moradores, lideranças comunitárias, empresas, organizações da sociedade civil e orgãos governamentais.

Nossa sede

Em 2013, a Prefeitura do Rio cedeu para a instituição, por doze anos, o imóvel onde será a Casa do Jongo, nova sede do grupo. Com cerca 1700m2 de área construída, a Casa do Jongo será reformada pela Prefeitura, conforme D.O. publicado em 27/08/2013, e vai, além de ampliar a Escola de Jongo,  estreitar relacionamento com as escolas públicas locais, desenvolver atividades de empreendedorismo juvenil e geração de renda (produção cultural, turismo, economia solidária etc ) e oferecer cultura gratuitamente para o bairro com salas de cinema, estúdio de gravação, lojas, horta comunitária e exposição permanente.
O Centro de Memoria da Serrinha, alem de ser um museu virtual da cultura da Serrinha, na Casa do Jongo vira exposição permanente nos espaços abertos ao publico e na nossa galeria de arte. Vem visitar a Casa. Embaixo na pagina esta nosso endereço e o mapa. até logo.

Quer contribuir ao Centro de Memoria e fazer parte da historia da Serrinha?

Se você tiver imagens, fotografias, documentos relacionados com a Serrinha e sua história e quer incluir esses documentos no museu entre em contato conosco.

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Local

A Casa do Jongo, Rua Compositor Silas de Oliveira, Serrinha, Rio de Janeiro

casa do jongo